A IMPORTÂNCIA DO EXERCÍCIO FÍSICO NA TERCEIRA IDADE
Por Osvaldo Marques
“Eu não sei o que é terceira idade. Viver é aquilo que quero para usufruir até a hora de morrer”. É o que fala o Coronel Ivan “Barata”, 68, Professor de Educação Física, formado pela Escola de Polícia Militar em São Paulo, e, Professor de Biologia, graduado pela UFBa. Ex-Pára-quedista, atleta ativo de duathlon, triathlon, aquathlon e mergulho.
O número de idosos que se encontram na faixa etária acima dos 75 anos, hoje no Brasil, têm aumentado consideravelmente em relação às décadas passadas. É o que relata o IBGE: Em 1980, existiam cerca de 16 idosos para cada 100 crianças; em 2000, essa relação praticamente dobrou, passando para quase 30 idosos por 100 crianças. O número de idosos acima dos 75 anos aumentou 49,3%, e dentre eles, os idosos de sexo feminino superaram o número de idosos masculinos. Em 1991, as mulheres correspondiam a 54% da população de idosos; em 2000, passaram para 55,1%. Portanto, em 2000, para cada 100 mulheres idosas havia 81,6 homens idosos, e dentre Eles, a maioria passou a praticar exercícios após os 50 anos, alguns por recomendação médica e outros por bem estar e vaidade. Existem também os idosos que são atletas ativos em plena à terceira idade. Dois exemplos semelhantes podem ser conferidos nessa reportagem:
Apaixonado pela Educação Física, o Coronel Barata começou a prática dos exercícios físicos aos 17 anos, pela Academia da Polícia Militar. Por conceder o direito a uma modalidade, sua preferência foi atletismo, corridas e saltos. Para ele, essa paixão vem de uma tendência pessoal através da genética.
Desde cedo Ivan já defendia a escola da Polícia Militar pelo atletismo, apesar de enganar um pouco no futebol, basquete e natação. Logo partiu para o grupo de elite, onde após as aulas viajava para se dedicar aos esportes. Quando surgiu o triathlon, as competições ainda eram juntas com mulheres, foi quando o Coronel largou o pára-quedismo para evitar as contusões e fraturas, e passou a se dedicar apenas ao triathlon, que é dividido em 750m de natação em lago ou mar, 20 km de track (bike) e 5 km de atletismo. Em seguida passou para o Olímpico, que é o dobro do triathlon, posteriormente partindo para o man iron man, que é o dobro do olímpico, e, finalmente, para o iron man com: 4 km de natação, 180 km de track (bike) e 42 km de atletismo. Seu treino diário é de duas modalidades, sempre revesando todos os dias para não forçar as articulações, e uma vez por semana ele faz o longão, que é uma corrida de atletismo de 25 a 30 km; ou ciclismo de 100 a 120 km; ou natação de 5 a 6 km. Para Ivan a saúde é como um terreno baldio: se não plantar frutas, só nasce capim. Para ele o exercício físico reconstitui a corrente sanguínea e é muito bom para a fisiologia.
Ivan participou do primeiro campeonato de triathlon da Bahia, que foi o 2 de julho, perto da Barra, em 1980; e cita também Ilhéus como um dos melhores campeonatos do mundo. Participou da conferência mundial em Vitória do Espírito Santo. Fezendo o desafio do século de super-man da morte com a travessia Salvador/Mar-Grande, 40 km track (bike) e 10 km de atletismo. Segundo Ivan, Ele foi o único ser humano que aceitou o desafio, e, só fez essa prova apenas uma vez, já tinha feito oito vezes a travessia Salvador/Mar-Grande.
Coronel Barata é octa-campeão baiano; tri-campeão brasileiro e bi-campeão Sul-americano. Arca com todas as despesas para o treino, como: despesas para acompanhamento de barco no mar, dentre outras. Ivan tem acompanhamento de Orientador fisiológico, que inclusive já falou que seu caso é de uma pessoa diferente, e está sempre consultando outros médicos como cardiológico. Ele critica a política pública do Brasil, ministro de esportes, e diz também que falta investimentos em crianças para a preparação, para um determinado tempo, até estar apto a participar de competições como olimpíadas. “Inclusive, é por isso que o Brasil nunca vai ter medalhas de ouro. Por que quando surge um atleta em destaque, pode ter certeza que logo após a competição, os patrocinadores vão os abandonar”.
As mulheres, envaidecidas, sobretudo, com suas belezas, vêm se preocupado um pouco mais com a saúde e estética em relação aos homens. Contudo, suas presenças têm superado os homens em consultas medicinais, check-ups, atividades físicas, e até mesmo a cirurgias de lipoaspiração para rejuvenescer. Esse por sua vez, não é o caso de Maria Dalva.
Maria Dalva, 54, mais conhecida como “Black”, Maratonista há trinta anos, corre todos os dias. Para ela o exercício físico tem que vir desde cedo, pois, essa resistência tem que se fortalecer a cada ano que passa. Black corre uma maratona por ano, e já passou por 19 maratonas. A cada mês participa de duas ou três competições de 12 a 25 km. Sua última prova foi no dia 17 de março de 2008, em Aracajú, com 25 km, chegando na terceira colocação em sua categoria. A Maratonista ressalta que é preciso muita força de vontade e um planejamento com acompanhamento profissional. Seu professor Gilmário, mais conhecido como “Alegria”, seleciona uma planilha semanal, outra mensal, para seguir passo a passo as etapas do treinamento. Dalva também pratica academia de musculação há 30 anos. “É importante fazer musculação para fortalecer toda musculatura e não ficar exposta às lesões, apesar de que todo atleta sentir dores musculares”, fala a maratonista. Para Black, a maior dificuldade é manter o ritmo, pois, tem que acordar todos os dias 4 ou 5hs da manhã para treinar e depois se arrumar para ir ao trabalho. Black trabalha como cabeleireira há 19 anos, e sustenta uma filha de cinco anos.
Para quem pretende começar uma atividade física, Black dá a dica: “Nunca é tarde. O importante é começar. Porém tem que ter cuidado”. Black diz que os resultados dessa prática de exercícios, Ela sente em sua auto-estima e na alegria de viver. Além disso, a melhor parte para Ela, é que ninguém nunca imagina que a sua idade é 54 anos.
Para o Professor de Educação Física e graduando em fisioterapia, Carlos Bittencourt, 30, mais conhecido como “Alemão”, o exercício físico na terceira idade é muito importante para a prevenção e tratamento de doenças como: hipertensão, diabetes, artroses, e outras, além de melhorar todo sistema respiratório e as articulações. “Todo cuidado é pouco. É preciso respeitar os limites de cada um. Pois, cada caso é um caso diferente. Para isso, é indispensável o acompanhamento de profissionais para atender as necessidades divergentes. Antes de tudo, assim como qualquer pessoa que estiver começando a exercitar as atividades físicas, é fundamental, principalmente os idosos, que também passem por uma avaliação física. A partir daí pode-se saber qual o procedimento cabível para cada um”.
Dentre os problemas de saúde mais comuns nos idosos, o professor destaca a diminuição de habilidades de audição, visão, coordenação motora, tendência de perda de cálcio pelos ossos, desvio de coluna, diminuição da elasticidade muscular e vascular, dentre outros. Para Alemão, as faltas dos exercícios físicos poderão acarretar nos surgimentos de lesões, o que posteriormente levará o indivíduo à diminuição da sociabilidade, e, por fim acaba levando a pessoa a chegar à depressão, causada pela baixa auto-estima.
Para ter uma boa qualidade de vida o Professor de Educação Física diz que é importante que todos não só pratiquem esportes, mas que façam exercícios físicos, moderação nas farras, nas noites perdidas, e também ter uma boa alimentação balanceada.
Jair, 64, lutador de karatê, já praticou dança, capoeira, e, hoje corre cerca de 50 minutos, além de praticar musculação. Jair passou a se dedicar aos esportes a partir dos trinta anos para conseguir se livrar do vício do cigarro. Para ele o esporte é tudo. “Me sinto muito mais leve o rejuvenescido. As pessoas não falam que tenho 64 anos”. Jair conseguiu se livrar do vício, e vive uma vida muito mais saudável.
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